quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Apenas uma foto.



Sob o olhar da lua cheia,
Que às vezes desaparece,
Coberta por tantas nuvens negras,
Que vagam pelo céu esta noite,

Rosas no meio do cinza,
Uma luz pode ser vista,
O vento se torna frio, folhas estão caindo,
O que eu encontrei?

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Você pode guardar um segredo?



Ouço seus passos, mesmo com a sua distância. Posso ouvir você cantando, rindo, e quase posso materializá-lo em minha frente. Seu rosto está tão nítido em minha mente! Tento correr, mas algo me puxa para trás, o medo. Medo de afundarmos novamente, em uma areia movediça, sem escapatória.

Ouço seus passos, você está tão distante. Ouço meu coração, batendo como antes, como se pudesse vê-lo ao meu lado. Mesmo afundando, continuo agüentando, paralisada a poucos passos de você. Por que não estou me mexendo? Segurando em algo que não existe, uma ilusão, você dizendo que dois é melhor que um.

Como poderia ter ido embora, tão de repente? Procurei-lhe, e já não estava lá. Não pergunte por que, não hoje.

Segurando no que tínhamos algum dia atrás, caminho de novo, seguindo sua voz. Às vezes me parece que sou a única que se sente assim, no escuro, estando perto de você. Porque, de repente, tudo é novo, e o inverno não é mais tão frio, eu sou a única?

Quando eu vislumbro um pedaço seu pela porta entreaberta, eu não afundo mais, estou presa a você, segura. De verdade.


E não conte a ninguém. Sabe como eu não gosto de ficar vulnerável, certo?

domingo, 15 de novembro de 2009

Em Um Grande Saco Vermelho (3)

Não foi o pior natal da minha vida, como eu pensei que seria. Ah, não. Foi o melhor, talvez. Eu acordei com James do meu lado, abraçado em mim, e eu não precisava de nenhum presente a mais. Papai Noel, deixe-me te dizer, você é o melhor.

Não que eu já não soubesse disso, mas esse foi o melhor presente que eu poderia ganhar. Era tudo o que eu queria! Não podia pedir mais. E eu tenho plena consciência que o senhor é um cara muito ocupado e tudo mais, e arranjou esse espacinho na sua agenda, logo na véspera de natal, para fazer o meu desejo realidade!

Pode ter certeza que eu não vou esquecer e não vou deixar ninguém nunca repetir que o senhor não existe. Eu sei que perdi a fé no último minuto, mas não foi o suficiente, porque, no fundo, eu sabia que o senhor não ia me decepcionar.

Muito obrigada, Sr. Noel.

Eu não vou esquecer!

E, ah, é. Estou mandando vários biscoitos que eu e James fizemos na manhã do natal. Espero que cheguem quentes ao senhor! São de chocolate.

E, sim! Depois dos biscoitos eu agarrei o James e o levei para fazer anjos na neve comigo, e fomos cantando:

Pirraça, você não tem nenhuma graça!
Amanhã você verá,
Quem está sozinho, embaixo do visco,
Só você será!


Feliz Natal.

Lily Evans,
Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts,
Torre da Grifinória,
Dormitório à direita,
Cama da janela.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Em Um Grande Saco Vermelho (2).



Capítulo Dois.

Eu meio que pirei quando constatei isso, mas depois lembrei que não botei meu nome lá, então não tinha problema. Qualquer um poderia ter escrito, certo? Precisariam de provas para me acusar, há.
Enquanto Mary sumiu de novo – e eu suspeitei que ela fora estragar mais um pouquinho a neve perfeita lá de fora – eu fui à biblioteca para estudar para os N.I.E.M.s. Eu sei que é véspera de natal, mas como eu não tenho nada para fazer, não custa dar uma adiantada nos estudos.
Mas quem disse que eu posso ter um pouco de paz por aqui?
- Lily-sozinha-nesse-natal-que-não-beija-nem-um-marisco-! – ele chamou da porta. Madame Pince não gostaria nadinha dessa gritaria, mas ela não estava ali. Provavelmente está fazendo anjos na neve com alguém também.
- Que foi, Potter? – eu perguntei, sem me levantar.
- Venha aqui! – disse ele. – Quero te mostrar uma coisa. – e deu seu típico sorriso maroto.
Eu levantei, deixando os livros na mesa e o acompanhei, sorridente.
Pelo menos ele não me largou, que nem certa amiga fez. ._.
- Onde estamos indo?
- Você vai ver já, já.
Enquanto descíamos as escadas encontramos quem eu menos queria encontrar enquanto estivesse com James.
O meu grande amigo Pirraça.
A-rrã.
- Veja quem temos aqui! Lily Evans, sozinha nesse natal... – ele começou, rindo.
- Ela não está sozinha. – disse James, e me abraçou pela cintura.
Talvez eu estivesse delirando, mas logo depois disso James me beijou na boca até Pirraça dizer chega. E eu estava surpresa demais para responder.
Quando abri os olhos Pirraça não estava mais ali e James ainda me segurava pela cintura. Ele me soltou rapidamente quando o olhei nos olhos. Ele estava com cara de medo, mas por trás, eu tinha certeza, estava feliz. Feliz por ter me beijado. E eu também estava.
- Desculpe, Lily... – disse ele passando a mão pelos cabelos pretos. Meu coração batia em ritmo acelerado. Eu corei. – Eu só queria ajudar...
- Você ajudou. – eu disse, tentando me acalmar. – Obrigada. Pirraça nunca mais vai me incomodar. – eu sorri, e ele também.
Seguimos até o salão principal, sem encontrar mais ninguém pelo caminho. Não falei mais nenhuma palavra. Ele tampouco. Eu não sabia o que falar, na verdade. O clima tinha ficado estranho demais para palavras.
Chegamos ao desértico salão principal – todos estavam fazendo anjos na neve e se beijando lá fora, provavelmente – e eu logo notei a árvore que eu tinha achado perfeita aquela manhã toda desmontada. Os enfeites estavam no chão.
Eu olhei James incrédula, correndo até a árvore.
- Não acredito! – eu disse sorrindo.
- Podemos fazê-la imperfeita agora! – disse ele, pegando uma bolinha dourada na mão.
- Com certeza! James, você é o melhor. – e o abracei, deixando ele meio, hm, vermelho.
Mas eu não estava ligando. Eu estava pensando por onde começaríamos. A minha árvore de natal em casa é consideravelmente menor que esta.
Foi melhor que ficar estudando na biblioteca, deixe-me te dizer. Muito melhor. Nós conversamos como eu nunca pensei que fosse possível conversar com ele. Também rimos bastante dos alunos que passavam ali e ficavam nos olhando assustados.
Talvez melhor que fazer anjos na neve, mas eu não sabia porque nunca fiz anjos na neve com alguém.
Poor Lily. ._.
- Vamos lá para fora, agora? – perguntou James quando terminamos.
- Claro. – eu disse, enrolando a manta vermelha no pescoço.
Os terrenos de Hogwarts estavam cobertos de neve e nem um risco da grama verde dava para enxergar. Mary e Remus estavam sentados em um banco de madeira não muito longe, abraçados. Os outros dois marotos faziam uma guerra de neve.
Sirius já havia construído um forte de neve que eu diria impossível de se fazer sem magia. Peter, por outro lado, não parece ter pensando na mesma coisa. Ele evitava as bolas de neve de Sirius se escondendo atrás de uma árvore.
Eu ri da cena.
- Eu vou pro time do Sirius! – gritei e saí correndo para o forte.
James suspirou derrotado e foi se juntar a Peter.
Assim, começamos uma guerra de bolas de neve que atingiu até os namorados que se agarravam no banco.
Descobri muitos anjos de neve moldados no chão aquela tarde.

-

Naquela noite, depois de uma exaustiva guerra de bolas de neve, nós entramos para a ceia de natal.
Eu tinha neve desde os meus cabelos até os meus pés. Sirius resolveu trocar de time e empurrar o forte em cima de mim. Super legal (y)
Eu enfiei uma bola de neve na boca dele depois disso. Vingança é um prato que se come frio, há? Entendeu o trocadilho?
Ah, que seja.
Todos notaram a diferença da árvore de natal que eu e James arrumamos, mas ninguém falou nada. Durante a ceia, eu pegava algumas pessoas fazendo careta em direção a ela. Nada bonito de se ver. Afinal, árvores de natal não são feitas para serem perfeitas.
Como eu pensara, só havia uma mesa no centro do salão e todos os alunos e professores sentaram juntos para celebrar o natal. O Diretor Dumbledore falou algumas palavras sobre como ele estava feliz por nos ter ali antes de os pratos se encherem.
Foi uma ceia animada e deliciosa, que durou pouco mais que até o meio da noite, e apenas o que restou foi a companhia de todos os grifinórios no Salão Comunal.
Mary e Remus ainda se agarravam. Não, melhor: eles alternavam entre se agarrar e conversar. Se bem que eu tenho dúvidas sobre essas conversas. Tudo que eu ouvi era: Mary!, Remus!, você é linda!, você que é!
E eu ria. Demais. Eles só não notavam as minhas gargalhadas porque logo depois estavam se agarrando de novo.
Eu estava jogando Snap Explosivo com os outros Marotos e Sirius ainda cantarolava a música do Pirraça.
Logo, meus pensamentos voaram ao beijo do James, mais cedo. Tinha sido tão bom! Vai ver Papai Noel resolveu atender mesmo o meu pedido. Mas o que eu estou dizendo? O James não gosta de mim. Ele só me beijou para tirar o Pirraça do meu pé. O que foi muito gentil da parte dele.
Mas não posso ignorar que foi bastante bom aquele beijo e a sensação de suas mãos em minha cintura.
Foi tão mágico!
- Ei, Lily. – chamou Sirius. – Sua vez.
Então eu peguei as cartas rapidamente e desviei meus pensamentos para um lugar mais seguro.
Eu estava viajando demais. James tinha razão.
Talvez eu devesse acordar e admitir que Papai Noel não existe e que ele não pode me trazer meu amor verdadeiro. Até porque já é véspera de natal.
Faltam poucas, poucas horas para o natal.
As pessoas que estavam no salão comunal foram indo dormir aos poucos, e eu fui quando Mary também foi. Deitei mas não consegui dormir. Até esqueci de falar sobre Remus com ela, e quando vi, ela já estava dormindo.
Ele voltava aos meus pensamentos toda a vez que eu decidia não pensar mais, só dormir. O jeito que eu tinha me sentido com aquele beijo, os olhos por trás dos óculos.
Ah, esquece, Lily.
Não vai acontecer de novo.
Papai Noel não existe e ele não vai te trazer um namorado. Coloque isso na cabeça!
Estou cada vez mais doida.
Cansei de me revirar na cama quando o relógio apitou duas horas, então eu levantei, vesti meu chambre – que coisa de velha, eu sei - e desci até o salão comunal para procurar a minha carta e queimá-la.
Que feio, Lily. :O
Eu sei, eu sei, eu sei.
Eu esperava que o salão comunal estivesse vazio, mas para a minha surpresa, James Potter estava lá.
A-rrã.
- James. – chamei. Ele estava de costas para mim, e não me viu.
Ele pareceu surpreso por me ver ali também.
- O que está fazendo aqui? – nós falamos ao mesmo tempo.
Meu coração acelerou com a possível resposta.
- Feliz Natal, por sinal. – eu disse, sorrindo.
- Feliz Natal, Lily. – ele respondeu, sorrindo.
Eu continuei ali parada olhando para a lareira, tentando encontrar a minha carta. Mas ela não estava lá.
- Procurando alguma coisa? – ele perguntou. Estava sentado no sofá, então se levantou.
- Hm, nada. – ele veio até mim e quase parei de respirar.
- Para você. – ele me entregou um saco vermelho com uma fita verde, que não parecia ter nada dentro, para mim.
Eu devo ter ficado escarlate. Ele estava perto demais.
Abri o saco e tirei a minha carta lá de dentro. Olhei boquiaberta para ele.
- Impossível não reconhecer sua letra.
Eu baixei a cabeça ignorando aqueles olhos castanhos mais lindos do mundo. Oks.
- Meio grandinha para escrever ao Papai Noel, você não acha? – ele perguntou, sorrindo.
- O que você está fazendo aqui, James?
- Me certificando que o Sr. Noel traga seu presente esse ano. – respondeu ele, me olhando nos olhos.
Foi aí que eu lancei meus braços envolta do seu pescoço e o beijei.
- Eu sabia que o Papai Noel nunca falhava. – disse rindo, depois do beijo.
- Eu tinha certeza que ele ia ser bonzinho comigo esse ano.
- Nós ainda temos que fazer uma coisa... – eu disse, pensativa.
- O que?
- Ou melhor, duas.
- Pensei que eu tinha feito tudo que estava na sua carta. – disse ele arqueando uma sobrancelha.
- E fez. Nossa, nem acredito. – sussurrei. – Mas ainda temos que fazer anjos na neve e assar biscoitos!
- Assar biscoitos?
- Não se preocupe, eu faço os melhores biscoitos de natal ever! – falei.
- E por que você está acordada à essa hora? – mudou de assunto, ainda abraçando minha cintura.
- Ah, eu não consegui dormir. – disse, mexendo no cabelo dele.
- Pensando muito em mim? – ele deu aquela piscadela marota.
- Ei, não seja tão convencido, rapaz. – eu dei um tapinha no ombro dele, e recebi outro beijo.
Há, eu sou a ruiva mais sortuda do mundo. A propósito, obrigada, Sr. Noel.
Nós sentamos no sofá em frente ao fogo, abraçados, e não sei quanto tempo passou, porque eu apaguei.
E sonhei com o meu presente que veio embrulhado em um grande saco vermelho.


Último capítulo coming soon! :) hihi.
LOVE, LOVE, LOVE,
Milhões de beijos coloridos :*
Day.

domingo, 8 de novembro de 2009

Em Um Grande Saco Vermelho.

Fanfic James Potter/Lily Evans - pais do Harry, lembram? :) Eles são adolescentes e estudam em Hogwarts, hm. Vou postar em capítulos, são apenas três. Espero que gostem! :~~ Entrem no espírito natalino, hihi. Baseado em Santa, can you hear me? - Britney Spears. Escutem, é a melhor música de natal ever. *-*



Capítulo Um.


Época de natal. Todas aquelas luzinhas piscando, aquelas estrelas douradas no topo dos pinheiros. Todos os enfeites, toda aquela neve e todo aquele clima...
Eu adoro o natal! Não pense o contrário. Mas neste natal em particular eu estava meio para baixo. Eu tinha ficado em Hogwarts no feriado pela primeira vez. Meus pais tinham viajado até a escola interna da minha irmã, Petúnia, e eu não queria ir junto. Então eu fiquei.
Eu sei que tem muita gente que fica, mas natal para mim significa família, sabe? Vai ser tão esquisito sem meus pais, meus avós e a minha árvore de natal. Quando eu era criança eu sempre sentava no colo do Papai Noel e agradecia o presente. E fazia toda aquela coisa da cartinha, selada com um beijo, e ele vinha com um saco vermelho enorme e quase todos os presentes eram pra mim, ha.
Aí a gente cresce e vê que era seu pai, ou seu tio – ou até seu avô, - vestido de Papai Noel, e que você caiu que nem um patinho durante todo esse tempo.
Bom, não tem mais volta. Hoje é dia vinte e três de dezembro e só restaram poucas pessoas no castelo. E entre elas, Mary, minha melhor amiga, que decidiu ficar para me fazer companhia. Não que eu precisasse de mais companhia com todos os Marotos sempre vadiando no salão comunal. E tem o Pirraça, que deu para tirar com a minha cara e cantar coisas como:

Lily Evans, sozinha nesse natal,
Ninguém agüenta essa certinha total!
Vai ficar sozinha em baixo do visco,
Não consegue beijar nem um marisco!


Dá pra acreditar? Tipo, ele conseguiu rimas perfeitas!
E tudo bem, vamos admitir: ele tem razão. Estou totalmente sozinha. E não é só nesse natal. Ah, não. Só em todos os natais da minha vida. Isso é frustrante, deixe-me te dizer. E tem todos esses casais andando de mãos dadas por aí. Fazendo anjos na neve e trocando presentes. Poxa, eu quero alguém para fazer anjo na neve comigo!
Natal pior que natal sem família é natal sozinha em Hogwarts e sem árvore de natal para eu montar.
Mas tudo certo (y). Nada que a gente não supere. É só pedir para o Papai Noel me mandar um namorado embrulhado em um grande saco vermelho! Papai Noel nunca falha.
Sério. E eu ainda não pedi nada para ele esse ano. É só escrever uma cartinha e selar com um beijo.
Eu estava prestes a escrever a minha carta quando Mary adentrou o salão comunal com seu habitual bom humor. Ela estava pouco ligando por ficar no castelo o natal e tampouco por estar sozinha. Sem alguém para trocar presentes e fazer anjinhos na neve.
Eu estava sentada em frente à lareira, embaixo de muitas cobertas, com um pergaminho e pena para começar a escrever. Ela me olhou curiosa e tirou a touca da cabeça, sentando ao meu lado.
- Onde você estava? – perguntei, notando toda a neve que caiu das suas roupas quando ela sentou.
- Eu estava congelando lá fora! – disse ela.
Eu ergui as sobrancelhas. Ela não iria estar congelando lá fora porque queria.
- Ok, - ela suspirou. – eu estava fazendo anjinhos na neve com o Remus.
- Quem? – espera aí, acho que não ouvi direito.
- O Remus, Lily! – ela disse impaciente.
Meu queixo caiu. Minha amiga fazendo anjinhos na neve com o Remus.
Ok, você é mesmo a segura-velas este natal, L. Evans.
Eu realmente preciso escrever ao Papai Noel para ele me trazer o meu amor. Ele vai vir em um grande saco vermelho, vamos trocar beijos, presentes e vamos fazer anjinhos na neve. E digo mais: vamos assar cookies, desmontar uma das doze árvores de natal do saguão e montá-la de novo.
A-rrã.
- Ei, Lily. – ela estalou os dedos na minha cara e eu saí do meu transe. – E o que você está fazendo?
Mary olhou de mim para o pergaminho em minhas mãos.
- Hm, nada. – disse eu. – E o que você e o Remus fizeram mais, hein? – eu mudei de assunto. Nós sorrimos. Os olhos dela brilharam.
- Nada mais... – ela ficou escarlate.
- Vocês se beijaram! – eu adivinhei, e ela fez um “sh”. – Não acredito nisso! – eu disse rindo. – Que amooor, Mary!
- Cala a boca, Lily! – ela pediu, olhando em volta, mas só estávamos nós no salão comunal.
- A Mary está apaixonada, vai ficar coladinha nesse natal, embaixo do visco: amasso total! – eu cantarolei, deixando-a mais vermelha.
Mary logo se recompôs.
- O Pirraça canta muito melhor que você, sabe? – disse ela rindo.
- Não canta não! – eu me fiz de ofendida e ela gargalhou.

“Lily Evans, sozinha nesse natal,
Ninguém agüenta essa certinha total!
Vai ficar sozinha em baixo do visco,
Não consegue beijar nem um marisco!”


Começou a cantar. Cara, eu não devia ter ensinado a letra para ela.
Logo depois os Marotos pelo retrato. Na pior hora possível, porque Mary ainda estava cantando aquela música horrível. Ela não viu quando os quatro pararam ali, ouvindo-a cantar. Eu parei abruptamente, com uma almofada nas mãos, olhando-os e ficando escarlate. Mary fez o mesmo quando percebeu a presença deles e veio parar do meu lado, encarando-os. Mas já era tarde demais. Eles tinham ouvido a música. Todinha.
Oh, beleza.
Agora são mais quatro cantando no meu ouvido que eu não beijo nem um marisco. Papai Noel, você pode me ouvir? Eu quero meu amor em um grande saco vermelho.
Depressa, por favor.
- HAHAHAHAHA, - eles caíram na gargalhada, enquanto eu lancei um olhar mortal à Mary. Ela se conteve e não riu com eles.
- Não é engraçado! – eu gritei para que eles pudessem me ouvir.
Peter, Remus e James pararam de rir, mas Sirius não pareceu me escutar. Ele já estava vermelho quando percebeu o silêncio e começou a cantar: Lily Evans, sozinha nesse natal...
Eu juro que um dia eu tranco o Pirraça em uma masmorra e ele nunca mais vai ver a luz do dia, nem inventar essas musiquinhas desmoralizadoras e repugnantes. E que GRUDAM!
Ninguém merece.
Eu revirei os olhos, cruzei os braços e fiz cara de braba que calou Sirius em dois segundos.
- Hm, já estávamos indo... – Remus disse e os outros três o seguiram até as escadas para o dormitório. Não pude deixar de notar a troca de olhares entre ele e Mary.
- É bom mesmo! – gritei depois que ouvi a batida da porta.
Afundei no sofá mais uma vez e Mary sentou ao meu lado sorrindo. Impressionante.
- O Remus não é um amor? – perguntou ela, com os mesmos olhos brilhantes. Eu não pude deixar de sorrir.
- A Mary está apaixonada... – comecei, mas ela tapou a minha boca, com uma cara apavorada.
- Eles podem escutar daqui! – sussurrou.
- Ah, certo. Quando é a minha música você não faz questão de guardar só para si! – eu sussurrei de volta.

-

Eu aproveitei que Mary ainda dormia e desci silenciosamente naquela manhã da véspera de natal. Levei um pergaminho e uma pena para escrever a minha carta para o Papai Noel. E não faça essa cara. Eu preciso de um verdadeiro amor para beijar em baixo do visco antes que os Marotos espalhem essa música para mais gente.
O salão comunal da Grifinória estava vazio, como eu esperava. O fogo crepitava na lareira. Eu sentei em frente a ele e comecei a escrever.

Parece que todos, menos eu, estão apaixonados.
Papai Noel, você pode me escutar?
Eu mando minha carta selada com um beijo,
Papai Noel, você pode me escutar?
Eu sei exatamente o que eu quero esse ano!

Eu quero alguém que me ame, alguém para abraçar;
Que seja todo meu em um grande saco vermelho.
Papai Noel, você pode me escutar?
Me diga que está aqui meu amor verdadeiro!

Papai Noel, esse é o meu único desejo este ano.


Eu terminei e reli várias vezes. Pareceu boa para mim. Dobrei-a e coloquei no envelope. Agora, aonde eu ia colocá-la?
Quando eu era pequena e escrevia cartas ao Papai Noel, eu sempre as dava para minha mãe, que dizia que entregava a ele para mim. Ah, sim. Grandes amigos minha mãe e o Sr. Noel.
Eu vi que baboseira estava fazendo e deixei o envelope de lado, olhando para o fogo. Me sobressaltei quando ouvi alguém descendo as escadas. Sem perder tempo, me apressei e saí pelo retrato da Mulher Gorda.
O salão principal estava vazio. Nem os professores haviam descido ainda, mas a comida já estava na mesa. Eu sorri ao ver os minis Papai Noel voando pelo salão. Alguns pousaram com suas vassouras nas mesas e estavam comendo. A quantidade de comida era nitidamente menor do que quando todos os alunos estavam no castelo. Mas ainda ficaram alunos de todas as casas, então as quatro mesas no centro do salão estavam postas. Eu não sabia como seria a ceia de natal de noite, se iam continuar as mesas assim ou iriam juntá-las. É natal, afinal.
Mary foi uma das últimas a chegar para comer. Depois que acabei meu café fiquei ali esperando por ela, olhando para a árvore muito bem decorada do salão. Tinha algo errado com ela. Era perfeita demais.
Eu me perguntei se alguém notaria se eu botasse o pinheiro abaixo e enfeitasse ele de novo.
- Bom dia, ruivinha. – James sentou ao meu lado e eu tirei os olhos do pinheiro.
- Bom dia. – disse eu.
- Viajando muito? – perguntou ele com seu sorriso maroto.
- Eu não. E você? – falei distraída, voltando a analisar o pinheiro perfeito. – O que você acha daquela árvore? – eu perguntei, por fim, apontando a árvore.
James ergueu as sobrancelhas, e falou, como se eu fosse louca:
- Como?
- Aquela árvore de natal! – respondi.
- Hm... Bonita...?
- Não, James. Ela é perfeita! – disse eu, exasperada que ele não tivesse visto. – Tudo arrumadinho, sincronizado... Árvores de natal não são perfeitas.
- As de Hogwarts são. – disse ele rindo da minha conversa louca.
Eu suspirei. Ninguém ia me entender.
- O que você quer, Lily? Desmontar a árvore e montar de novo? – ele perguntou sarcástico.
Mas era bem isso que eu queria.
Ele viu o brilho nos meus olhos e me olhou incrédulo.
- Sem chance. – respondeu ao meu olhar pidão.
Mary chegou e sentou no nosso meio.
- Bom dia, gente. Acordaram cedo, hein?
- É. A Lily acordou cedo para escrever a carta para o Papai Noel. – James disse rindo e eu o olhei espantada.
Como ele sabe? Como? Como?
Mary me olhou curiosa, e James riu mais.
- Brincadeira, Lily. – ele disse. – Não é?
- É, é. – concordei.
Se ele sabia sobre a carta, eu não podia dizer, mas eu realmente a deixei por acaso lá no salão comunal da Grifinória. Em frente ao fogo. Ele podia muito bem ter encontrado ela lá. Se foi ele ou outra pessoa, eu também não sabia dizer, mas quando voltei correndo para o salão aquela manhã, a minha carta não estava lá. Não estava.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Vivendo de fantasia.


Uma vida sem sonhos é uma vida em preto e branco, onde a cada virar a esquina, você estará olhando por cima do ombro, esperando algo apanhá-lo de surpresa. Viver sem sonhar é viver pela metade, e apenas metade de uma vida não nos deixa satisfeitos. São os sonhos que nos fazem ter um objetivo, uma motivação. Sem motivação, aonde vamos?

Não é errado fantasiar a realidade, é apenas preciso aceitar as conseqüências que podem vir com ela. É tudo um grande “combo”: peça um, leve dois sem acréscimo no preço. Porém esse “combo” de aparência tão animadora pode ser enganoso, às vezes. Viver sonhando torna a realidade bruta e dura (mais do que ela costuma ser), e deixa nossa vida parecendo sem sal.

A possibilidade de realizarmos um sonho é o que torna a vida interessante e cheia de enormes expectativas. Inspirados pelo que pode acontecer no futuro, somos levados pela corrente de fantasias que nos envolve.

Shakespeare disse que somos feitos da mesma matéria que nossos sonhos, e (creio) ele estava certo. Quer dizer que quanto mais sonhos, mais profundos e criativos somos.
Sonhos, para que os quero? Para dar sentido ao futuro, para podermos esperar o próximo dia com uma nova esperança.

E se nunca se realizarem?, você pergunta.

Eu digo: Ainda vivemos à beira daquela música “Nunca Diga Nunca”?

sábado, 24 de outubro de 2009

out there somewhere.



Estou perdida e sem esperanças,
Aqui sem você,
Sinto como se todos estivessem me olhando,
Estou perdendo as forças, meu coração está parando,
Aqui sem você.

Sei que você está aí, em algum lugar,
Só me diga: como chegar?
Posso te sentir, posso prever,
Que você está pensando que estou aqui também.

Estou tentando te encontrar,
Onde você está?
Estou procurando pela multidão, imaginando seu rosto,
Estou pronta para te dar meu coração,
Onde você está?

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Será?







Garoto conhece garota.
Garoto se apaixona.
Garota não.








Quinn: Como é? Como é a sensação? A sensação única de sentir fogos de artifício no seu estômago, sentir a cabeça nas nuvens e seu coração acelerado. Como é? Por mais que eu tente, não consigo entender. Não consigo sentir. O que há de errado comigo? Por que a ausência disso faz ainda mais com que eu o queira?

Clay: Como é? Na verdade, é meio simples. Você sente como se alguém arrancasse seu coração do seu peito, e nunca mais o colocasse de volta. E o que fica? Apenas um grande vazio. Um imenso silêncio, coberto de sofrimento. E aí é que vive o erro. Dar a essa pessoa o poder de arrancá-lo de você. Por que eu nunca aprendo?


Garoto conhece garota.
Você já sabe o final dessa história.
Será?

sábado, 17 de outubro de 2009

Sempre estará aqui.



“Você quer fugir comigo?”,
Eu diria que essa foi sua melhor frase,
E eu cai por isso, por você,

“Pegue meu coração pela mão”,
Em uma queda livre,
Você me segurou, me protegeu,

“Eu te amarei para sempre”,
E naquele tempo, para sempre parecia tão distante,
Eu sabia que chegaria, mudaria,

“Eu não posso ficar”,
Eu diria que lágrimas não caíram,
Mas eu estaria mentindo, enganando,

“Eu sei”,
E apesar de tudo, eu sempre soube,
Eu sempre soube que não seria fácil, a espera,

“Perdoe-me”,
Mas foi impossível evitar,
Já que você foi o único, e sempre será.


-
Inspirado no filme The Time Traveler's Wife, um romance super recomendado por mim :) Muito lindo, veja o trailer aqui. É baseado em um livro honônimo, que já está na minha lista de férias! :D Haha. That's it. Hope you have a great Sunday :*

Lovelovelove.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Depois de todo este tempo,


Eu tinha sete, e você tinha nove, estávamos procurando por vaga-lumes, onde a noite era silenciosa, e onde podíamos enxergar todas as estrelas apenas tendo uma pequena visão do céu. Os grilos eram o único som, nossos passos, os únicos movimentos. Você me ajudou a passar pelos espinhos e então ficamos frente a frente com a luzinha que procurávamos. Então você me olhou, e eu vi que seus olhos brilhavam assim como as estrelas do céu. Eu vi.
Me leve de volta ao tempo em que nós apenas corríamos, sorríamos e não tínhamos preocupações demais. Me leve de volta até onde nada parecia nos derrubar, nada iria nos derrotar; tínhamos um castelo de areia, eu era a princesa, e você era o príncipe. Me leve de volta até onde tivemos nossa primeira grande briga, você não falou comigo por dias, e eu chorava todos os dias antes de dormir. Me leve de volta, eu quero consertar isso. Me leve de volta à casa da árvore, onde por tantas vezes eu tranquei você por fora. Me leve de volta ao campo verde de nossas casas, e o mundo inteiro estava ali. Pertencíamos apenas àquele lugar.
Então eu tinha dezessete, e você tinha dezenove, e de repente tanto havia mudado. Os príncipes, princesas e o castelo de areia foram trocados por livros, filmes e carros. Mas nada importava, porque você ainda estava ao meu lado, e era tudo que eu precisava. Seu sorriso me confortava até nos piores dias, e, quando eu pensava que nada podia melhorar, você me deixava dirigir seu carro por horas e horas, andando sem direção. Nós dois, a estrada e a música que por tanto tempo nos acompanhou. E naquelas noites seus olhos ainda brilhavam como as estrelas penduradas no céu.
Você prometeu um dia descobrir quem as segurava lá, você disse que traria uma para mim.
E nossos pais ainda brincavam sobre nós, crescendo e nos apaixonando, e tudo que eu fazia era baixar a cabeça, tentando esconder meu rosto escarlate. Até que em uma noite, debaixo das estrelas, você me olhou com as pequenas estrelas que fazem parte dos seus olhos, e você disse.
E eu repeti.
Nós prometemos continuar deste jeito, sempre, eu com 87 e você com 89, e eu ainda olhando para você como as estrelas que brilham no céu.

Depois de todo esse tempo, você e eu.